Inédito modelo de estúdio-escola de animação da América Latina é inaugurado em Cataguases

Animaparque nasce com anúncio de produção internacional em parceria com o estúdio vencedor do Oscar de melhor Animação de 2023, longa-metragem com o grupo Giramundo e amplo programa de qualificação profissional para o setor, que deve movimentar R$ 14,5 mi em 2024.

 

Gerência de Comunicação Energisa

O Animaparque, um inédito modelo de estúdio-escola de animação da América Latina, foi inaugurado nesta quinta-feira, 30 de novembro, para fazer da Zona da Mata Mineira, composta por 142 cidades, um potente ecossistema do setor de animação brasileiro. Com o patrocínio de R$ 2 milhões do Grupo Energisa, ele nasce com infraestrutura pronta para receber suas primeiras grandes produções nacionais e internacionais em 2024; com o curso gratuito de graduação “Tecnologias em Cinema e Animação”, oferecido em parceria com a Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG); e também como parque público aberto para a comunidade.

Foram cinco anos para colocar de pé um projeto que ocupa uma área total de 10 mil m², localizado em Cataguases, Minas Gerais, e gerido pela Agência de Desenvolvimento do Polo Audiovisual da Zona da Mata de Minas Gerais (Apolo). Um dos destaques de sua inauguração será o anúncio da parceria com o estúdio mexicano El Taller del Chucho, do cineasta Guilhermo Del Toro, e vencedor do Oscar de melhor Animação deste ano com o filme Pinóquio – que, em meio à computação gráfica, deu vida nova no cinema para a mágica do stop motion em longas-metragens. O Animaparque hospedará a produção feita pela Coala Filmes, do animador internacionalmente premiado, Cesar Cabral, com o El Taller del Chucho para rodar o longa “Pinguim Tupiniquim”.

A estreia também será marcada pelo anúncio da filmagem do longa “A Marcha dos Girassóis”, também em stop motion e com a participação do principal grupo de bonecos do Brasil, o Giramundo. Todas essas iniciativas mostram as oportunidades que o audiovisual brasileiro pode aproveitar para os próximos anos, começando já em 2024, quando são esperados que o setor de Animação movimente R$14,5 milhões e crie cerca de 500 postos de trabalho diretos, gerando emprego e renda.

Por dentro do conceito de estúdio-escola

Para atender esta demanda, o Animaparque vai contar tanto com o núcleo estúdio quanto o núcleo escola. O primeiro ambiente terá áreas para produção e pós-produção de audiovisual, estúdios, laboratório multimídia, áudio e trilhas sonoras, ateliês técnicos de cenografia, arte e figurino, camarins, sala de direção e base de produção.

No núcleo escola, o objetivo é unir prática e qualificação de jovens e de profissionais por meio de um auditório multiuso, três salas de aula, laboratório multimídia, biblioteca-midiateca, área expositiva e salas de gestão. Para usufruir dessa infraestrutura, em parceria com a UEMG, foi criado o curso de graduação “Tecnologias em Cinema e Animação”, que já está em sua segunda turma e se prepara, por meio de um novo vestibular da universidade, para selecionar a próxima leva de 30 alunos para 2024.

Com a nova turma, no ano que vem, a graduação contará com 10 professores universitários e uma equipe de quatro assistentes administrativos, vagas que foram abertas para atender a uma demanda de estudantes em que a metade deles vêm de diferentes Estados do Brasil. Para se ter ideia, a primeira turma teve universitários de 17 cidades diferentes, como Salvador, Brasília, Palmas, São Paulo e Belo Horizonte. Além disso, serão oferecidos cursos técnicos em colaboração com a Escola SENAI Audiovisual.

“O Grupo Energisa tem um compromisso histórico com a Cultura brasileira. Apoiar a criação do Animaparque é ampliar, ainda mais, os projetos audiovisuais que já existem por meio das iniciativas do Polo Audiovisual da Zona da Mata de Minas Gerais, também patrocinado pela Energisa. Temos orgulho de ver que este estúdio-escola também vai qualificar mais profissionais para atuar no Brasil e no exterior, impulsionar o setor de Animação e ainda valorizar artistas brasileiros”, declara Daniele Salomão, vice-presidente de Gente, Gestão e Sustentabilidade do Grupo Energisa.

De acordo com Cesar Piva, diretor-presidente da Agência de Desenvolvimento do Polo Audiovisual da Zona da Mata (Apolo), o formato inédito do Animaparque na América Latina permite aprender fazendo. “Com este equipamento, nós estamos associando a formação, a qualificação e a produção audiovisual em um só lugar. Para entrar no mundo do cinema, é preciso ter um ambiente de produção que permita realizá-la. Queremos ver mais transformações de vida por meio da Cultura, de melhoria para profissionais que cresceram na região e hoje têm a oportunidade de se especializar e de empreender graças a essa oportunidade”, afirma Piva.

Uma estrutura a serviço da comunidade e com muitas histórias pra contar

O Animaparque é também um parque público para a cidade de Cataguases. Ele vai oferecer serviços para eventos e festas comunitárias, incluindo a exibição de filmes e espetáculos culturais abertos para toda a população.

O novo equipamento é erguido em um local de reinvenção urbana e ressignificação para Cataguases. No século XX, foi a base para a antiga “casa das máquinas” do serviço municipal e depois virou a Companhia de Saneamento de Minas Gerais – COPASA, com os reservatórios de água que abasteciam a cidade. Mais recentemente, sediou as ações do Centro das Tradições Mineiras – CTM e da Cia. Ormeo de Teatro e Dança Contemporânea, e do Ponto de Integração das Artes – PINA. Em 2016, com a renovação pelo governo municipal da concessão pública por mais 30 anos, novos projetos ocuparam os espaços e passaram a ser geridos pela Apolo.

Projeções para o setor audiovisual brasileiro nos próximos anos

– Com as políticas públicas na Ancine e no Ministério da Cultura, o ano 2023 alcança a cifra de R$ 2 bilhões de investimentos no setor audiovisual;

– Está se finalizando em todo o país a realização de editais estaduais e em centenas de municípios brasileiros, envolvendo um total de R$ 3,6 bilhões de reais, sendo que 70% desses recursos irão exclusivamente para fomento à produção audiovisual;

– Com o total de R$ 5,6 bilhões (os dois valores acima), em 2024 o mercado audiovisual brasileiro, a estimativa é de que estarão em produção mais de 500 grandes obras audiovisuais no Brasil, o que pode movimentar uma média de 100 postos por produção, mais de 50 mil postos de trabalho diretos;

– Em Minas Gerais serão R$ 378 milhões, sendo R$ 182,3 milhões para projetos a serem executados pelo estado e R$ 195,8 milhões voltados para 839 municípios;

– Apenas no Polo Audiovisual da Zona da Mata Mineira, somente com os projetos selecionados em 2019 no edital de Coinvestimentos Regionais – Ancine, estarão em produção em 2024, com recursos já captados: o longa-metragem de animação “Ana, en passant” (R$ 6 milhões), o longa de ficção “A professora de francês” (R$ 2.1 milhões), a série de animação “Cosmo, o cosmonauta” (R$ 1,9 milhões) e o documentário “Maria Alcina, alegria Brasil” (R$ 1 milhão): Total: R$ 11 milhões. Considerando esse total que estará em execução em 2024, a estimativa é de que seja 40% retido na economia regional, o que corresponde a R$ 4,4 milhões e geração de mais de 400 postos de trabalho diretos;

– Apenas com as novas parcerias estratégicas que serão anunciadas na inauguração do Animaparque, com os longas “Pinguim Tupiniquim” da produtora Coala Filmes (SP) e “A marcha dos girassóis”, da Tubz Estúdio Audiovisual (MG), a expectativa é de gerar outros 100 postos de trabalho em 2024.

Fonte: Leopoldinense
 

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