Influência da atividade minerária na qualidade da água é positiva, indica pesquisas realizadas na Zona da Mata

Foram selecionados dez mananciais para monitoramento, localizados nas cidades de Miraí, Muriaé, Rosário da Limeira e São Sebastião da Vargem Alegre. Entenda o levantamento.

O monitoramento de nascentes da Zona da Mata mineira, a fim de avaliar a influência da atividade minerária na qualidade e quantidade de água disponível, é tema de pesquisas realizadas pela Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV).

As duas instituições conduzem o Programa de Estudos Hidrológicos em áreas de mineração da região e, conforme divulgado, os resultados são positivos.

Foram selecionados dez mananciais para monitoramento, localizados nas cidades de MiraíMuriaéRosário da Limeira e São Sebastião da Vargem Alegre.

A iniciativa conta com a parceria de produtores rurais, proprietários das áreas de estudo. O objetivo é fazer um acompanhamento das bacias hidrográficas de cabeceira que contenham jazidas de bauxita em área de drenagem, e fazer um comparativo entre os períodos antes e após a mineração.

Resultados

“Os resultados indicam que a CBA desenvolve uma mineração que contribui positivamente para os processos hidrológicos da região, conforme foi avaliado no escoamento da água sobre o solo, antes e depois da mineração”, afirmou a empresa.

Em oito anos de monitoramento, as pesquisas científicas indicaram uma redução significativa do escoamento superficial da água de chuva, o que favorece de forma relevante a infiltração no solo.

A infiltração é um processo de entrada de água na camada superficial do solo, movendo-se através dos poros presentes no terreno. Ao longo do tempo, o uso do solo para a produção agropecuária gera uma compactação desses poros, reduzindo essa movimentação e, por consequência, diminuindo a infiltração e aumentando o escoamento superficial da água.

Segundo o professor do Departamento de Engenharia Florestal da UFV, Herly Carlos Teixeira Dias, os primeiros resultados já indicam que existe uma grande variação da vazão ao longo do ano, de acordo com o uso do solo atual, sem o processo de mineração.

“Porém, como já verificamos que com a mineração o solo fica mais poroso, há uma clara sinalização de que as vazões nas mesmas nascentes, pós-mineração, sejam mais regulares, o que torna as nascentes mais produtivas. Ou seja, a atividade favorece a recarga de água no solo dos mananciais”, explicou.

Cada ação do programa é acompanhada atentamente pelos proprietários, pesquisadores da UFV e técnicos da CBA.

“As análises contribuem para o entendimento sobre a dinâmica da água e sua relação com os processos minerários e de reabilitação, fomentando e direcionando futuras ações da Companhia e da Universidade na área de sustentabilidade”, completou o professor.

Números são positivos

  • Média de capacidade de infiltração: 309 mm/h em áreas reabilitadas pós-mineração e de 148 mm/h em áreas não mineradas;
  • Repelência: em áreas reabilitadas a média foi de 1,5%, enquanto em áreas não mineradas a repelência média foi de 6,2%.

Os dados mostram que há um ganho de infiltração de água no solo e redução de repelência nas áreas reabilitadas pós-mineração. A repelência à água é o fenômeno em que os solos resistem ao umedecimento.

“Em síntese, a mineração, em função de seus processos de aeração do solo e adubação verde e orgânica, vem contribuindo com o aumento da capacidade de umedecimento do solo em mais de 400%”, completou a CBA.

Até o momento, os resultados iniciais mostraram que, em média, a vazão mínima de sete nascentes no período de seca foi de 0,3 litros/segundo, enquanto a vazão máxima foi de 8,5 litros/segundo.

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