Primeiros veículos motorizados de Cataguases

Ideias: Primeiros veículos motorizados de Cataguases

O primeiro de que se tem notícia
foi um caminhão da marca Mercedes-Benz, pertencente à Força e
Luz. No começo do século passado, transportava mercadorias e/ou
até quatorze pessoas, por ocasião da construção da Usina Maurício.
O segundo foi de visita: um automóvel que aqui chegou em 18 de
junho de 1912, de propriedade de Francisco Batista de Paula Neto,
que tinha uma loja de vendas de veículos no Rio de Janeiro e viera
visitar seu pai em Recreio.
No afã de conhecer as dependências da Usina Maurício, deixou Recreio na véspera, passando o dia em Leopoldina, chegando a Cataguases às 16:30, indo direto
ao escritório da atual Energisa, noLargo do Comércio, hoje, Praça
Rui Barbosa. Ao ser informado, o então prefeito, Coronel João Duarte Ferreira, ofereceu um jantar no Hotel Villas ao ilustre visitante, seu pai Sebastião e seu irmão Honório.
Portanto, foi recebido em clima de festa.
Dia seguinte, acompanhados do prefeito e convidados, percorreram
no automóvel as ruas da cidade, com calçadas, portões, portas e janelas das casas cheias de pessoas ansiosas para ver a novidade, escutar o fonfonar da buzina e aplaudir
entusiasticamente. Após o passeio, não pôde ir à Usina em virtude do
mau tempo e às péssimas condições da estrada, voltando a Recreio. Para se ter uma ideia, outro carro, alguns anos depois, demorou 48 horas de Guarani a Miraí,
82 km. Para tanto, levou um mecânico, pás, picaretas e, por certo,
muitas orações, sendo de propriedade do padre Dario Moura, tio do homônimo cataguasense.
Já o primeiro automóvel adquirido por Cataguases chegou aqui no
mesmo ano de 1912, um conversível também da marca Mercedes-
-Benz, adquirido pelo Dr. Gabriel Monteiro Ribeiro Junqueira, para
uso em serviços da Força e Luz.
Gabriel, como diretor gerente, tinha que se deslocar constantemente para cidades vizinhas, mas de difícil acesso. Assim, muito se empenhou com os dirigentes daqueles
municípios para melhorarem as estradas, até mesmo abrindo outras.
Falavam que uma mulher morreu por causa daquele carro, nas proximidades de Itamarati, mas acredita-se que foi de susto, diante da novidade.
Vale lembrar que o núcleo inicial da hoje Energisa era formado pelo
Dr. Norberto Custódio Ferreira e os citados João Duarte e Gabriel, este,
de Leopoldina, daí os nomes das duas cidades na antiga razão social
da empresa. Os dois primeiros também eram os cabeças da Fábrica de
Fiação e Tecelagem, que começou mal, depois foi adquirida, ampliada
e solidificada por Manuel Ignácio Peixoto.
Nota: até aqui, dados colhidos no livro Cataguases, História, Terra, Povo, de Fernando (Ciribelli) Moreira, previsto para sair em 2023. Agora, especulações.
É o caso de pensar como era difícil trazer o progresso à região. A
ponte metálica, que veio desmontada de navio da Europa, pode ter
chegado aqui de trem, ainda assim, da linha férrea até o local em
que se situa, como as partes foram até lá, sem auxílio de guindaste
ou carreta? E como atravessaram o rio? Na ponte de madeira? Os
teares pesados da fábrica, pelo menos, ficavam mais perto da estação. Outra dúvida: o maquinário, cimento e demais componentes da Usina Maurício couberam
naquele caminhão? Bem ou mal comparando, era como transportar pedras para erguer as pirâmides do Egito.
E voltemos aos automóveis, na década seguinte, com Ascânio Lopes: Alegria dos fordes brincando(são dois) na praça.
(Depois vão dormir juntinhos
numa só garagem.

Por Antônio Jaime Soares
(Escritor cataguasense)

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