Uma nova espécie de rã foi descoberta na Serra da Mantiqueira, sendo Cataguases a “localidade tipo” para essa espécie

Quando se descobre uma nova espécie, é necessário capturar alguns exemplares na natureza.

Dentre esses exemplares um deve ser escolhido para fazer a descrição da espécie, onde se olha diversas características, como o tamanho e as cores. Esse exemplar é chamado de “Holótipo”, e passa a ser a referência para essa espécie. Já o local onde o “Holótipo” foi registrado é chamado de “Localidade tipo”, sendo a área de referência para a nova espécie.

Esse fato ocorreu em Cataguases, mais especificamente no Sapecado, comunidade inserida na APA Serra da Neblina, e a espécie recém descrita é a Thoropa bryomantis. O nome “bryomantis” é de origem grega e significa “rã do musgo”, em referência ao substrato que a espécie vive.

O pesquisador responsável pela descoberta é o zoólogo cataguasense Clodoaldo Assis, que também descreveu a perereca-pintada Nyctimantis pomba, endêmica de Sinimbú, comunidade também inserida na APA Serra da Neblina. Após o registro da espécie no Sapecado em 2012, a rãzinha-do-musgo foi também registrada na cidade de Antônio Prado de Minas. Em posteriores visitas ao Museu Nacional do Rio de Janeiro e Museu de Zoologia da USP em São Paulo, foi verificado que indivíduos dessa espécie foram coletados no estado do Espirito Santo, porém foram identificados como uma outra espécie semelhante, chamada de Thoropa lutzi.

Onde a rãzinha-do-musgo vive?

Essa nova espécie ocorre em seis localidades, indo de Cataguases até Santa Teresa no Espírito Santo, ao longo da Serra da Mantiqueira. Vivem em afloramentos rochosos acima de 600 metros de altitude, e costumam cantar entre outubro e março somente durante os dias chuvosos.

A rãzinha-do-musgo ainda possui algumas peculiaridades! As fêmeas colocam seus ovos nos paredões de pedras durante o verão, e seus girinos vivem nas finas lâminas de água que escorrem nessas pedras, e por isso são considerados semi-terrestres (vivem entre a terra e a água).

Ela está ameaçada de extinção?

Por ocorrer em seis localidades, incluindo o Parque Nacional do Caparaó, presume-se que a rãzinha-do-musgo (Thoropa bryomantis) não esteja ameaçada de extinção. Além disso, as populações de Cataguases e Antônio Prado de Minas, se mostraram abundantes, sendo encontradas até em paredões de pedras próximo às pastagens.

Importância do achado para a APA Serra da Neblina

Esse achado aumenta a importância das áreas naturais da APA Serra da Neblina, que agora é a “localidade tipo” de duas espécies de anfíbios. Se essas áreas desaparecerem, perde-se uma gama de informações referentes às espécies que foram descritas ali, como: comportamento, sua fisiologia, sua alimentação específica daquela área, a forma dos seus corpos, as informações de seu DNA, etc…

Agora, quando você estiver andando pela APA Serra da Neblina e observar um paredão de pedras, lembre se que ali mora a rãzinha-do-musgo!

CRÉDITOS

TEXTO: Clodoaldo Assis e Fábio Caetano

FOTO: Clodoaldo Assis

Fonte: APA Serra da Neblina

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