Ubá cria programa de assistência educacional para alunos com deficiência matriculados na rede pública

O Centro de Atendimento Educacional Especializado “Professora Maria Aparecida Condé” (CAEE), em Ubá, criou um programa de acompanhamento para alunos com deficiência.

O trabalho faz a entrega de materiais escolares personalizados e promove encontros com os pais ou responsáveis para orientá-los como acompanhar o aprendizado dos estudantes. A meta é dar continuidade ao aprendizado, mesmo em casa, por conta das medidas restritivas impostas pela pandemia de Covid-19.

Em Ubá, as escolas particulares estão autorizadas a dar aulas presenciais desde o dia 24 de maio. Para as escolas públicas municipais, a data para retomada ainda será definida, portanto, os alunos seguem estudando de maneira remota.

A cada 22 dias são realizados os encontros individuais entre a professores, equipe técnica do CAEE e os pais ou responsáveis dos alunos, onde os materiais são entregues e as orientações sobre como as atividades devem ser desenvolvidas em casa são repassadas.

De acordo com o Executivo, a educação de estudantes com deficiência tem sido um grande desafio para a comunidade escolar durante a pandemia. Os prejuízos para esses alunos no ensino remoto podem ir desde o acesso a tecnologias especializadas de aprendizagem à perda de convívio e rotina.

Ações educacionais complementares e atividades que melhoram a função motora também são propostas. — Foto: Prefeitura/Divulgação

Atendimento educacional especializado supera obstáculos do ensino remoto

Entre os materiais adaptados estão régua de leitura, lupa e adaptador para lápis, além de atividades planejadas para as necessidades específicas de cada estudante. Objetivo é fazer com que, mesmo com o aprendizado à distância, os alunos possam manter o desempenho.

Além dos encontros presenciais, um grupo de WhatsApp foi criado como um canal de atendimento e suportes aos familiares. Nele, a equipe técnica do Centro faz o acompanhamento dos estudantes e da execução das atividades domiciliares.

Ainda por meio da rede social, técnicos e professores dão dicas e orientações; esclarecem dúvidas e promovem ações educacionais complementares como a leitura de livros e contação de histórias.

Segundo a Coordenadora Geral do CAEE, a psicopedagoga institucional Valéria Monteiro Oliveira Rodrigues, o trabalho vem sendo realizado desde o ano passado e vem passando por reformulações ao longo do período.

“Alteramos a frequência dos atendimentos presenciais de orientação aos pais e responsáveis, passando de 15 para 22 dias. Também aumentamos os níveis de planejamento das atividades para incluir novas especificidades e poder atender às necessidades de cada aluno, a fim de proporcionar uma melhor evolução das habilidades básicas e sociais e do aprendizado”, explicou.

No que diz respeito aos resultados observados a partir do atendimento especializado, Valéria diz que está sendo uma experiência positiva para todos.

“Com a assistência especializada, notamos que a rotina de realização das atividades melhorou, contando com mais engajamento das famílias e causando menos estresse e ansiedade nos estudantes. Desta forma, observamos que além de frear regressos da função motora; questões psicológicas e alterações comportamentais, consequência do isolamento social, esse modelo pedagógico adotado pelo CAEE, possibilitou certo nível de desenvolvimento até mesmo em estudantes com deficiência mental grave”, concluiu.

Participação da família

Entrega das atividades – Familiares são instruídos pela equipe técnica do CAEE sobre a realização das atividades em casa. — Foto: Prefeitura/Divulgação

Ter participação e apoio familiar para superar os obstáculos do ensino remoto é essencial para que os estudantes possam passar pelo processo de adaptação ao novo modelo de ensino de maneira mais eficiente.

A coordenadora do CAEE explica que com o cenário pandêmico, a criação de um modelo pedagógico de atendimento educacional especializado se tornou um desafio tão grande quanto o combate ao vírus.

“Após pesquisas e estudos, buscamos mecanismos próprios que culminaram nesta proposta adotada, que hoje é exitosa graças ao apoio das famílias. O distanciamento imposto pela pandemia aproximou as famílias do CAEE, permitiu que elas conhecessem e valorizassem o trabalho desenvolvido e que atuassem conjuntamente com Centro no processo educacional dos seus filhos. Hoje temos mais de 90% de retorno das atividades. Além disso, percebemos que os pais também estão se envolvendo mais nas tarefas escolares, nos atendimentos e em outras ocupações que antes acabavam ficando sob a responsabilidade das mães”, afirmou.

O Centro de Atendimento Educacional Especializado “Professora Maria Apparecida Condé

Equipe do CAEE – Planejamento e elaboração das atividades e kits de materiais utilizados durante o ensino remoto. — Foto: Prefeitura/Divulgação

O Centro de Atendimento Educacional Especializado “Professora Maria Apparecida Condé” (CAEE/Ubá), localizado na Rua Monsenhor Paiva Campos, nº2-102, presta assistência educacional a alunos com especificidades como deficiência auditiva, física, visual e múltipla; Transtorno do Espectro do Autismo (TEA); Transtorno Opositivo e Desafiador (TOD); microcefalia; dislexia; disgrafia; disortografia; Síndrome do X Frágil; Síndrome de Down; apraxia da fala; Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e Déficit de Atenção (DE).

Atualmente, o CAEE Ubá atende, no período do contra turno escolar – educação regular, cerca de 350 estudantes, com idade acima de dois anos e oito meses das redes municipal e estadual de ensino, e conta com uma equipe técnica composta por 16 profissionais, sendo uma coordenadora, 10 professores, uma psicopedagoga, uma assistente social, dois monitores e um estagiário.

Fonte: G1 Zona da Mata

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