Dia Mundial dos Professores AO MESTRE, COM ADMIRAÇÃO

Biblioteca José da Silva Gradim
A noite prometia tudo, mas era destinada a poucos. Ou poucos puderam escolhê-la, porque no fundo de seu mistério havia um mestre e sua biblioteca. Estrelas tinham cunhado para si e para ele uma luz própria, especial.
O Caic, colocado estrategicamente no morro, parecia uma esfinge à espera de todos – os convidados. Nos olhos da diretora havia um brilho novo: Filomena sorria e aguardava a hora de repartir o segredo de tanto tempo – a Biblioteca José da Silva Gradim.
Esperávamos todos e era como não se esperasse ninguém. Contudo, mais uma vez o mestre se fez presente e os primeiros faróis e motores vazaram o silêncio e o breu, para se transformar em números de amigos, professores e aficcionados pela língua e literatura luso-brasileira.
Pequenos grupos começaram a se esquentar da noite fria na conversa animada. Eu e Sonia, Célio e Ana Maria, Dirce, professor Luís, Imaculada, Betinha e Pedro Mendes, Hélia, Maria Lúcia e Paulo Miranda, Vasco e Filomena e outros ex-alunos, colegas e admiradores. O assunto rolava um só: o ineditismo e a raridade da homenagem. Finalmente, um evento cultural no sentido mais justo que se poderia imaginar em Cataguases.
Chegava a hora e subimos todos para o primeiro andar do CAIC. Corredores e portas levavam a uma nova ordem de coisas onde a clareza e o despojamento incitam ao estudo e aos objetivos. No último vão, enfim, a biblioteca. Na parede de frente, o pôster da página inteira do “Cataguases” ampliada, onde se traçava o perfil do professor. Dirce, emocionada, descerra a placa em bronze: Biblioteca Professor J. S. Gradim. Filomena marca uma vitória na cultura cataguasense.
Saudações e apresentações. Célio Lacerda custa a colocar a voz no lugar, mas, quando consegue, as palavras são firmes, fiéis, quase perfeitas, daquelas que qualquer um de nós gostaria de assinar em baixo. O ambiente era gradiniano, em cor e forma, e em fundo também.
Lá fora o ar era tão frio que contrastava com o interior do prédio e de todos. As pessoas pareciam como que escolhidas para estar ali. No céu de junho, poucas estrelas arriscavam um brilho e lá dentro apenas um vulto parecia passear entre nós e os livros, lembrando os textos e tempos de Garret, Herculano, Machado e Camões – o professor Gradim e sua poderosa voz ressoando verbos nos supinos e particípios do futuro, declinações, poemas e contos fantásticos.
Por Joaquim Branco/Facebook

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