Maria Quaresma faz “Um Desabafo” ao pré candidato Paulo Jacinto(PSOL)

Maria Quaresma se diz decepcionada com o representante do PSOL de Cataguases

Maria Quaresma sai em defesa da reputação de seu saudoso avô, Francisco Inácio Peixoto (in memorian) e seu tio Dr Tarcisio Henriques (in memorian)

UM DESABAFO

Associar Tarcísio Henriques e Francisco Inácio Peixoto ao coronelismo em Cataguases é um desserviço. O que o pré-candidato a prefeito Paulo Jacinto e alguns de seus apoiadores estão fazendo me decepciona, especialmente por ser o representante do PSOL em Cataguases.

Tarcísio Henriques era educador. Como prefeito e deputado zelou pelas escolas públicas, construiu bairros e concretizou diversos projetos sociais, como a guarda-mirim. Isso é fato. Não obteve sucesso em tudo o que se propôs a fazer, como qualquer outro ser humano.

Não vou nem comentar quem foi meu avô porque se ele está o atacando dessa forma é porque não deve ter lido um livro sequer dele. Era um excelente contista! O leitor percebe em suas histórias e personagens a sua visão de mundo. Ele enxergava o imenso abismo que separava as classes sociais. Descreveu as misérias e as falhas morais do ser humano. Foi além em “Passaporte proibido”. Ajudou a desconstruir a imagem da tão falada “ameaça socialista”. Francisco Inácio Peixoto era um visionário. Ele e os modernistas da Verde. Digo isso não por ser neta, mas por ouvir de outros escritores, de críticos literários, de amigos que conviveram com ele e que também o admiravam.

Se essa esquerda de Cataguases considera os dois uma “elite” alienada e prejudicial ao desenvolvimento da cidade não conseguiremos chegar a lugar algum. Seja quem for o candidato eleito. E associar a figura do José, filho do Tarcísio e neto do Francisco à “modernização do coronelismo” é uma atitude de pouca visão. Falta bom senso e diálogo. Sempre faltou.

Fábio Caetano já me chamou de Casa Grande aqui no facebook. Daniel Souza me chamou de pseudo-esquerda. Porque sou Peixoto e do Centro. Apesar de, até certo ponto, apoiarmos as mesmíssimas causas. Tenho vários amigos aqui que me conhecem e sabem que me chamar de Casa Grande é golpe baixo. Esse é um rótulo criado por eles, incluindo o professor Paulo Jacinto, numa tentativa de difamar os nomes do vovô e do tio Tarcísio. É também a maneira que encontraram para atacar o José.

Eu nunca vi o tio Tarcísio fazer política de ataque. Quando perdeu a eleição para o William, desceu a rampa da Prefeitura no dia primeiro de janeiro daquele ano ouvindo uma música altíssima, que os novos ocupantes fizeram questão de tocar para ele. Não me lembro exatamente da letra, mas era algo como “já vai tarde”. A “nova política” da época fez questão de humilhá-lo. Não me surpreendeu, pois a campanha toda do professor foi baseada na política de ataque.

José tem o mesmo gênio do pai. Pede para que eu fique quieta, para que eu ignore quando o chamam de “burguês do Centro” que vai aos bairros em época de eleição.

José vai aos bairros desde pequeno. Acompanhado do pai dele.

Vimos a eleição do William, que se elegeu sob o rótulo de professor. Se reelegeu com o slogan “volta professor”. Colocava-se a favor das causas sociais e de sua classe. Vimos o resultado. Pagamos o preço.

Temos agora um novo professor que, mais uma vez, pretende lutar contra o que considera o coronelismo e a velha política. Que não enxerga nada de positivo em Tarcísio Henriques e Francisco Inácio Peixoto. Que os considera seus inimigos.

Precisamos mudar nossa maneira de fazer política. Rever os nossos conceitos. Repost Maria Quaresma

Abaixo: Resposta de Fábio Caetano

A imagem pode conter: 1 pessoa, barba, atividades ao ar livre e close-up Tomei conhecimento dessa publicação, que faz menção a meu nome através de terceiros. Infelizmente, a pessoa que fez a postagem restringiu a visualização da mesma para seu ciclo de amizade na rede social, impedindo a manifestação do contraponto por parte dos citados em seu texto. Em relação a cultura modernista na cidade, não desmereço a capacidade literária de ninguém – mesmo porque cada momento tem sua importância na construção do tecido social e o Modernismo no Brasil, foi um amplo movimento cultural que não se restringe a literatura.
Nesse contexto, deixo um questionamento aos meus conterrâneos que viveram ou hoje vivem em Cataguases:

Em alguma época da nossa história, fomos de fato modernos?

Segue o artigo Mitos fundadores, tradições inventadas e sentido de cidade: Uma incursão pela velha e nova Cataguases, e que pode ajudar o leitor a fazer sua análise em relação ao texto publicado no facebook e agora reverberado por este portal de notícias.

https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-69712014000600122

Abaixo: Resposta do Professor Paulo Jacinto

Infelizmente, estamos passando por uma pandemia que deixou claro a fragilidade do projeto civilizatório que vínhamos construindo.

Penso que não é o melhor momento para criarmos polêmicas e afirmações irreais. Lamentável que algumas pessoas ainda não tenham percebido que o estado das coisas necessita de mudanças severas e que só o debate diplomático entre o contraditório pode trazer as soluções que beneficiará a todos.

Em relação ao que foi escrito por esta jovem que não conheço e que pelo apresentado em seu texto, também não me conhece, afirmo que o escrito sobre minha opinião em relação aos familiares da jovem em questão, não é real.

Reconheço a importância literária dos nossos concidadãos e jamais atacaria a memória dos entes queridos de qualquer pessoa.

Aproveito a oportunidade para deixar claro que a história de qualquer cidade, não pode ser contada pela perspectiva de apenas uma família e que penso ser importante reconhecer o potencial de contribuição de todos que aqui vivem e a contribuição dos que viveram, mas acredito que chegou a hora de centralizar a periferia.

O momento que passamos, exige de nós a mudança para um paradigma que seja capaz de irradiar uma luz perturbadora, por entre as trevas em que o sistema político-social estava imerso.

“Precisamos cuidar uns dos outros e juntos de nossa cidade”. Paulo Jacinto

Nota: Os textos foram retirados em suas páginas pessoais do facebook

 

4 Comentários

  1. São discussões como essas que nos fazem descrer das possibilidades positivas que o processo político pode nos dar. Política é busca de concensos, é diálogo, não busca de “culpados”. Maria tem razão. Mas sou suspeito três vezes: sou também Neto, filho e, agora, irmão. Mas querem saber: insistam mais uma vez no novo! Como fizeram com Bolsonaro e com Sema.

    1. Insistir no NOVO? Pelo que escuto em programas de rádio, o candidato que vc apoia, demonstrou claramente que votou no bolsonaro e zema e/ou pelo menos defendem a política neoliberal do bolsonaro!

      Então, não podem insistir no novo?

    2. Lembrei-me de seu pai. Em uma de nossas conversas sobre Cataguases, lá no nosso escritório (casa do vovô rsrsrrs), afirmou que são realmente muitos “dissabores” ao longo desse processo político. Coloquei entre aspas por ter sido a palavra que usou.

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